First Impression

He was a pool of rudeness. There, i said it. His nose was up like he had nothing to lose, and like talking to me was just a huge waste of time. With that suit and the Rolex on, he looked more arrogant then ever. Before I even answered the question, I was already being pulled to the dance floor, with his arms on my back and my face on his chest. Oh, what a disgusting perfume. The dance was rude and selfish; only he wanted to dance. The way he dragged me all the time was so impolite I couldn't wait to get away. The music was over, then, but he wouldn't let me go. I looked up to complain, but I was shut before a word was said. I was completely surprised, so I didn't react. His lips were on mine, and his face was wet. The flavor of the tear was in my mouth when I looked at him again. I could swear it wasn't the same person, hugging me and crying on my shoulder. Just then I felt like the worst person on Earth.

Potencial

"Todos os indivíduos trazem dentro de si todo o potencial do conhecimento", falou Sócrates. E repetiu meu professor de filosofia.

As palavras dele eram bem animadoras: nasceríamos prontos para "aflorar", para olhar o mundo e estudá-lo, perceber e aprender, transformar esse potencial em poder. Apesar disso, foi a palavra "potencial" que realmente me chamou atenção.

A minha vida e a dos meus conhecidos da mesma faixa etária se resume a isso: potencial. Somos novos, e logo escolheremos uma carreira. Escolher é o mesmo que optar por desenvolver certo potencial, não é? "E os que eu não desenvolvo? Mas e os outros?", imaginei... Foi só aí que liguei a frase sobre o potencial com a vida. A própria vida se resume ao potencial.

Por exemplo... Sábado passado, fui a um concerto de uma orquestra de adolescentes de certa igreja, que estavam visitando São Lourenço do Sul. Eu os vi tocando (muito bem, por sinal) e não pude deixar de notar, nos agradecimentos da maestra, a palavra, novamente:
- É preciso desenvolver o potencial artístico dos jovens.

Enquanto escutava, eu imaginava como a vida dos músicos teria sido diferente se eles nunca tivessem aprendido a tocar; se o potencial tivesse ficado por isso mesmo. Aliás, quantas pessoas devem deixar seus potenciais de lado, quando poderiam encantar outros com a música (como a orquestra), curar doenças, ajudar as pessoas, mudar o planeta.

A minha conclusão foi instantânea e muito simples: desenvolver potenciais é o objetivo da vida. Na hora, fiquei um pouco chocada com a conclusão, uma sensação estranha de certeza.

O choque veio justamente pela simplicidade da ideia: vivemos para nos aprimorar, nos melhorar e conhecer o mundo em maior profundidade. E para melhorar o próprio planeta, enquanto tentamos entendê-lo. Para nos animar ainda mais, Sócrates completou com a célebre frase: "Quanto mais sei, só sei que nada sei". Não há fim para a busca. Sempre há novas possibilidades, novos desafios, novas experiências.

As pessoas mais tristes, imagino, são as que perderam seus objetivos, aquelas que acham que não há mais nada para ver, comer, beber, experimentar, emocionar, perceber.

"É a estagnação que mata", já diziam os velhos. Só agora compreendo o que queriam dizer.

...
"...porque embora quem quase morre está vivo,
quem quase vive já morreu."

Luís Fernando Veríssimo (trecho do poema "O Quase")

Espelho

Oi, estranho.
Me diz teu nome.
Fala o nome dessa pessoa
que me encara ao espelho.

Explica o porquê
desse jeito acuado,
olhar paralisado,
brilhante e indeciso.

Por que lacrimeja o olho
que a tanto tempo
não vê tristeza?

E ainda percebo
a enganosa lágrima de crocodilo
escorrendo pelo teu rosto?

Tira daqui
essa face invertida.
Ela transborda hipocrisia,
me mostra uma falsa dor.

Dia após dia
enxergo a cópia mentirosa.
Desafia-me, alegre:
esboça um sorriso maroto.

Complicando o complicado

Alguns dias trás, meu pai chamou para perguntar o que eu achava sobre a nova tomada, o modelo escolhido por um comitê para que unificássemos as mais de 40 variedades de tomadas e plugues (sem contar as muitas que eu não conheço). Já a uns dias sem ler o jornal - no meu caso, a Zero Hora - disse que sabia muito pouco sobre o assunto. Mas falei que gostava da ideia de não ter que usar adaptadores nas tomadas.

De fato, é uma ideia ótima unificar e simplificar, e suponho que isso se aplique a qualquer coisa. Achei simpática a tomada que o tal comitê escolheu, a até temos vários aparelhos que encaixariam sem problemas nela. No entanto, não precisei matutar muito pra descobrir que é bem mais complicado que isso.

Antes de tudo se "encaixar", a bagunça vai ser grande. Com isso, quero dizer: adaptadores por todos os lados, problemas com plugues chatos, trocas de tomada pela casa... até imagino se o a confusão irá mesmo se resolver. Afinal, criamos mais uma tomada para a salada de frutas que já existia. Uma tomada única; a tomada brasileira. E, com o novo plugue de três pinos, nem a tomada universal pode ser usada.

Às vezes eu imagino o porquê de todo esse problema com uma coisa tão simples e cotidiana quanto a tomada. Se houvesse uma decisão universal sobre o assunto, não seriam necessários tantos adaptadores, tomadas, plugues, problemas.

Numa tentativa de simplificação, houve uma complicação. Além do mais, não é justo. Eu já imaginava ter uma casa repleta de tomadas universais...

Verde e suas matizes




Be the Chance - Kat Edmonson:

Voar

Será que correndo fica mais fácil? Enganando-me, indo devagar e olhando pra longe... A beirinha do prédio até parece um segundo horizonte, mais escuro e bem mais assustador. Se já sei que posso fazer isso, não preciso ter medo. O problema é se dá errado. No céu (não muito longe) um bando de pássaros vem voando e passa bem em cima de mim. Até pensei se não deveria abaixar a cabeça, para não ser presenteada. O vento estava ficando mais frio, a cor do sol era bem vermelha, e o chão me repelia. Eu ia ter que pular uma hora dessas. Eu tinha ido até lá pra isso. Quer dizer, subi quase 30 andares. E não tinha vindo só pra ver o pôr-do-sol.

Tá certo. Fui andando pelos cantos, olhei a altura. Engoli forte. Escolhi o prédio errado, eu acho. Aqui não tem nem uma tendinha na porta de entrada. Do tipo que apara a queda dos personagens de desenho animado. Pode ser a diferença entre a vida e a morte, no caso de eu cair. Há, até parece que eu vou cair. Só se for de nervosa.

Botei o pé na beirada, fechei os olhos. A barriga virava, a cabeça perdeu a cor. Sei lá se pensei em alguma coisa quando pisei no ar. Foi tudo tão, tão rápido. Sério, foi muito rápido. Mesmo assim, minha vida inteira passou na minha frente, até o futuro, as esperanças. Crianças que eu nunca tive, namorados e até um marido, uma cadelinha, uma casa enorme, um velório (que eu esperava que não fosse meu). Daí eu abri os olhos. Até fiquei decepcionada. Achei que as nuvens tivessem gosto de algodão-doce. Não tinham.

Divã - Martha Medeiros



O livro narra a história de Mercedes, mulher casada e com filhos que vem fazer análise porque se sente atormentada por duvidas existencialistas. A história se passa de consulta à consulta, nas quais são discutidos assuntos com a comodidade no casamento, o dicotomia entre as partes masculina e feminina que cada pessoa possui, as dúvidas sobre a vida e seu objetivo, etc.

É um monólogo bem interessante, sendo que podemos perceber o crescimento da personagem, se tornando mais solta e livre para se comportar e falar dentro do consultório, e fora dele. Mas tem que refletir muito sobre sua vida antes de começar a tomar decisões.

Mercedes luta consigo mesma pois não aceita sua situação: diz que gosta de extremos, e vive sempre de uma maneira tão morna que fica incomodada. A maioria de nós pode se identificar com esse tipo de situação, esse estado de comodismo no qual nossa vida perde o objetivo e, consequentemente, o sentido.

Além disso, a maneira como Martha Medeiros aproxima o leitor de Mercedes é muito agradável. Tem algumas pitadas de humor, falando de assuntos sérios e interessantes de maneira leve e divertida. Abaixo, o primeiro trecho do livro:

"Sou eu que começo? Não sei bem o que dizer sobre mim. Não me sinto uma mulher como as outras. Por exemplo, odeio falar sobre crianças, empregadas e liquidações. Tenho vontade de cometer haraquiri quando me convidam para um chá de fraldas e me sinto esquisita à beça usando um lenço amarrado no pescoço. Mas segui todos os mandamentos da boa menina: brinquei de boneca, tive medo do escuro e fiquei nervosa com o primeiro beijo. Quem me vê caminhando na rua, de salto alto e delineador, nem desconfia do meu hermafroditismo cerebral."

Para dar uma olhada no livro, segue o link: Divã - Martha Medeiros no Google Books

Velho Mudo

Como é perfeito. Que curvas! Parecem ondas, flutuando como o som que produzia. O som, então, sem comentários. Tocar nele parece até heresia, a vontade é de olhá-lo. Há, claro, outros motivos para não tocá-lo. Pela maneira como toco, estaria profanando a sua beleza. Poderia doá-lo, mas teria tanta pena... Quem sabe eu deveria colocá-lo na parede. Para acumular ainda mais poeira? Não, isso seria injusto. Já comentei sobre o seu som, e isso é motivo suficiente para largá-lo, deixá-lo em mãos mais hábeis. Tentei aprender a tocar, mas cansei. Não é minha vocação, e isso não é desculpa esfarrapada nem preguiça. Ele tem até entalhes, veja só. Não merece o quarto de uma guria que não sabe tocar. Merece a casa de um astro da música. Ou, ao menos, de alguém que faça eventuais shows em aniversário de criança. Se bem que, se eu o - vendesse, teria dinheiro para comprar algo mais útil. Na realidade, qualquer coisa seria mais útil.

Admiração é um tipo de utilidade? Ah, claro. Decoração. Chega a pesar chamá-lo “decoração”. Dói ainda mais chamá-lo de “o violão que eu não sei tocar”. Se bem que... ele é muito bonito. Que bom que pôde ser consertado. Mal se vê a emenda entre o braço (acho que é assim que chamamos) e o corpo. É velinho, da época do meu irmão. Mas nunca ficou ruim, nunca “saiu do tom”.

O trocadilho é infame e obviamente falso. É claro que ele já foi afinado diversas vezes, nem imagino quantas. Ele ainda não deu tudo o que pode dar, eu sei que não. Pra que, então, mereceria ficar aqui, só pra me agradar o olhar? Não deveria. Pra mim, ele é importante. Provavelmente porque representa algo inalcançado. É muita especulação, pra pouca ação, eu sei. É que não acho que mais alguém daria o valor que ele tem. Como um idoso, muito sábio, mas um tanto quieto e abandonado. Ele poderia ensinar muitos, mas só uma criança decide escutá-lo. Ele está dando um milésimo do que pode, mas está dando alguma coisa. O violão me dá um aconchego, só de imaginar seu som. Estúpido, isso. Privar alguém de tocar, pra imaginar o som e olhar a madeira. Além de ser totalmente contra o Feng Shui isso de guardar coisas inúteis. A energia deve estar toda bloqueada, ou algo assim, por eu ter parado de aprender a tocar e ter deixado ele lá, um lembrete disso. Talvez o dono original o queira de volta. Quem sabe meu irmão não resolva voltar a tocar?

Isso é tudo muito subjetivo... Olhando para o útil, eu devo tirar isso daqui. Para o agradável, bem... ele ficaria ali e seria apreciado com ele está. Não me sinto bem pensando em tirá-lo do lugar. É isso aí. Não vou dar, vender, doar nem nada do gênero. Vou deixá-lo assim mesmo: sem uso, de enfeite e bloqueando todo o meu shi. Até que a questão venha à tona de novo, ou até que alguém se habilite a levá-lo para um lar melhor. Nossa, isso é meio decepcionante. Pensei tanto, e não mexi um dedo. Se bem que... ah, esquece. Deixa-o aí.

Sorte ou Azar? - Meg Cabot


No mesmo estilo dos outros da mesma autora, é um livro para meninas com uma pitada de sobrenatural (assim como tudo nesses últimos tempos). É sobre uma menina chamada por todos de Jinx, porque é perseguida pela má sorte. Ela se muda do interior para Nova York, onde passa a viver com os primos e tios. Fica a dúvida do porquê ela se muda, mas ficamos sabendo durante a leitura. Umas das primas dela, Tory, diz ser uma bruxa, e daí surge toda a trama. É uma leitura rápida, mas não é ruim. Vale alguns momentos engraçados (como é de praxe nos livros da Meg Cabot) e romance. É, a Jinx conhece um lindo menino que é vizinho da casa dos tios pra onde ela se muda, o Zach. Pena que a Tory já está apaixonada por ele... mas pra saber mais é melhor ler.

A falta de sorte parece perseguir Jinx aonde quer que ela vá - e por isso ela está tão animada com a mudança para a casa dos tios, em Nova York. Talvez, do outro lado do país, Jinx consiga finalmente se livrar da má sorte. Ou, pelo menos, escape da confusão que provocou em sua pequena cidade natal. Mas logo ela percebe que não é apenas da má sorte que está fugindo. É de algo muito mais sinistro. Será que sua falta de sorte é, na verdade, um dom, e a profecia sob a qual ela viveu desde o dia que nasceu é a única coisa que poderá salvá-la?

Abaixo, o link do livro no Scribd:
http://www.scribd.com/doc/18468872/Jinx-Sorte-Ou-Azar

Tenho escutado

Tenho sérias dúvidas sobre a ordem dada aos álbuns abaixo. Queimei vários neurônios imaginando qual deveria ser essa ordem, e ainda assim acho que cometi diversas injustiças. Portanto, leia a lista como se a ordem fosse ao acaso... Não existe número 1, 2, 3... Isso é só pra dizer que as coisas não estão “voando”, como fala minha mãe.


1. Music for Men – The Gossip
• Faixa preferida: “Men in Love – número 7”.


Dispensa explicações. Ouça uma das faixas e entenderá o que digo. Um dos melhores grupos que escutei recentemente. Eles me deixaram encantada desde a primeira faixa. Adoro o desprendimento e naturalidade da faixa 7.




2. Hits and Exit Wounds – Alabama 3
• Faixa preferida: “Too Sick to Pray – número 13”.


Não entendo o que há de tão sombrio, como tem gente que diz, no som dessa banda britânica. Eles são bons no que fazem, e mostram muito bem nesse álbum. Tem músicas tristes e engraçadas ao mesmo tempo (“Mao Tse Tung Said” e “Hello... I’m Johnny Cash”) e a maioria das músicas foca na crítica. Além disso, o ritmo da primeira música (“Hypo Full of Love”) te contagia na hora!


3. Aqua Greatest Hits – Aqua
• Faixa preferida: “Live Fast and Die Young – número 3”.


Muito mais nostalgia do que propriamente a música, essa banda tem parte na minha vida. Explicando... durante os anos 80 e 90, eles eram muito famosos. Ficavam nas paradas, com os Backstreet Boys e a Britney Spears. Claro, eu ainda não era nascida. Mas meu irmão era, e comprou um CD deles que acabou chegando às minhas mãos anos depois. Ouvi, e gostei muito! Conforme o tempo passou, e entre as coisas da mudança, o CD se perdeu... mas as músicas, eu nunca esqueci. E esse álbum é dançante demais. Não dá pra não simpatizar.

Pelo patriotismo, é claro

Abstrato... como é o amor

Seu corpo... pedia a velocidade

Marcos ria de si mesmo, nervoso e com o coração acelerado. “Fica frio, cara. Nem começou ainda” ele falava pra si mesmo, tentando se distrair. Sentou no banco de madeira e começou a pôr os tênis. O chão de terra escura estava convidativo, e ele sabia que não poderia pensar no que estava em volta: a platéia, os outros corredores, tudo isso era secundário, ridículo perto do que realmente importava. “Vencer” disse Marcus baixinho, mas o suficiente para a palavra tomar conta de sua mente. Focado e distante dos sons, gritos, sussurros dos outros, ele estava pronto. “Marcus Gael” chamou a voz no megafone. Não perdendo o foco, foi até a marcação e se posicionou. Um pé na frente e outro mais trás. Seus músculos tencionaram e seu rosto se abriu num sorriso puxado, selvagem. Correr e vencer, pensou, agora falta pouco pra começar – e terminar. Sua respiração ofegava em antecipação, cada segundo era uma eternidade. Seu corpo pedia a velocidade.

Cinco... Chegou a hora... Quatro... Agora é só você e essa pista... Três... Hora da verdade. Dois... Respire. E corra. Um!

Evocando toda a força que podia, cada corredor ia acelerando, cada um olhando para seu próprio caminho a frente. Para eles, o mundo estava resumido a segundos. A velocidade do pensamento era longa demais. O tempo era inalcançável, esvaindo a cada passada. O suor pendia do rosto de Marcos. A velocidade consumia seu corpo; ela pedia a força que ele queria ter, ele queria ter muito mais. E estava tudo acabado.

Seus olhos estavam estranhos, quando cruzou a linha de chegada. Tão vagos e perdidos, e ainda assim seu rosto não mentia: ele sentia o gosto da vitória, pouco antes de desmaiar. Foi um dos poucos desmaios felizes que a platéia presenciou. Um desmaio realizado, do corpo cansado e satisfeito.

Teatral

Pra dentro... Pra fora... Pra dentro... Pra fora... O som da minha própria respiração me incomodava. Era tão necessário e irritante. O estômago embrulha, faltando apenas um minuto para começar. As luzes tocavam minha roupa logo ao pisar no derradeiro chão de madeira que me separava da audiência à minha frente. Para dentro... E digo a primeira fala de muitas. O público observa, comenta, ri, chora. Eu digo o que ensaiei e tento respirar. O tempo voa, tal era meu nervosismo. Curvamo-nos juntos de mãos dadas, e o alivio nos contagia. O som das palmas traz nosso minuto de recompensa. Minhas pernas param de tremer, a respiração retorna ao habitual e a multidão seca as lágrimas. Missão cumprida.

Chama

Ondulava a chama da vela. Cada sopro, cada suspiro do vento que entrava no quarto, tocava-a. Fazia-a tremer, mexer, se equilibrar no fino fio encerado e imerso em líquido. Cada gota de cera descia a seu próprio tempo: o relógio sumia, imerso na escuridão que a vela não era capaz de iluminar. Era só ela, a chama. Servia a seu propósito, tinha sentido no meio do indefinido. Era vida, em meio ao nada. Era nada, pois o resto era invisível.